segunda-feira, março 13, 2017

90 PÉTALAS DE ROSA PARA TI



Olá;

Hoje queria poder dar-te um abraço, tão grande, tão forte, tão bom, tão nosso. Hoje seriam 90 pétalas de rosa, e 90 ténues chamas rubras, e o teu sorriso, aquele que te enfeitava o rosto - meio tímido, meio triste - tão teu. Hoje são só as saudades que habitam este espaço que medeia o cá e o aí.

Hoje: daqui, onde estou a olhar o céu e as nuvens que encobrem este caminho que ainda não posso trilhar e tu já não podes percorrer. Hoje a lua brilha mais forte; É a tua luz que está por trás dela. Hoje as estrelas cintilam - alegres, quase dançam - és tu, desse teu lugar, que estás por trás delas.

Espalho nesta noite: daqui até aí, uma constelação de beijos - 90 - e um abraço que te faça sentir os meus braços e o calor que invade o meu coração. E sabes? eu sei que o vais sentir, porque quando o amor é maior que vida - ultrapassa a distancia, ultrapassa o silencio, ultrapassa a ausência dura de não te poder ver, tocar e sentir. Ultrapassa a própria morte.

AMO-TE MUITO, ontem, hoje e SEMPRE.




terça-feira, março 07, 2017

EXORCIZANDO LÁGRIMAS



Exorciza a dor que marca cada lágrima salgada
que pelos olhos se derrama como neblina matinal -
descendo, escorrendo -, saltitando as linhas do meu rosto.
Exorciza a distancia que medeia o soluço e a gargalhada,
porque assim se apaga o medo e o desterro intemporal.
Estende pontes de esperança e mansidão, esfuma o desgosto,
limpa a dor e acende um sol de perdão e de vontade férrea de querer.

Exorciza os anjos das negras noites sem sossego, vazias de solidão.
Exorciza as duras penas de erros que nos servem de lição.
Estende uma ponte de luz, constrói um porto de perdão,
fundeia o navio de um novo amanhecer, não feches a tua mão:
há mais vida por trilhar; Passos incertos, por certo, mas passos
rumo ao infinito que trazemos no coração. Deixa os compassos
da música: que não conhecemos, que não tocamos, mas que sabemos
de cor serem a valsa que trazemos nos pés; Os caminhos que percorremos.

Limpa a dor: acende um sol de perdão e de vontade férrea de renascer.

foto retirada da net


domingo, fevereiro 26, 2017

UM MAR MAIOR QUE VIDA


Quando há um mar que é maior que a vida, e a vida é um grão de areia: perdido na bruma de um querer não querendo. Quando um navio abandona um cais de partida, sem rumo, sem leme, sem sonhos – apenas morrendo. Apenas partindo na despedida.

Quando os olhos se perdem no horizonte sem fim: acreditando que não há impossíveis, lutando contra a névoa salgada da dura verdade. Quando as mãos se abrem vazias de mim: querendo um rumo, que nunca o foi, e só  impera a saudade – áspero espadachim.

Quando, na tormenta dos dias, as noites são clarões de memórias, e o coração arde, doendo, magoando, batendo em desordem. E o corpo cede em preces laudatórias. E a vida segue – correndo, girando – e os dias passam, e os anos mordem. As lutas por paz ainda são inglórias.

Quando um mar é maior que a vida, e as ondas – noutro mar – recordam uma partida. Os olhos perdem-se em adensado azul, bravio, doloroso; A um tempo amado e saudoso. E quando um mar é maior que o mundo inteiro, morto na despedida. De nada valem nem o mar, nem as ondas, nem a vida – que sigo de fugida.

Quando um mar tiver o dom da vida: quando o céu tiver o dom do oblívio, quando o sonho tiver o poder do querer…Então o meu vestido será de névoa sentida. A minha grinalda de dourado alívio, o meu sorriso de um novo amanhecer.
 

Há um mar, de profundo azul, onde habita o sonho,
onde se esconde o medo, e troa o vazio.
Há um mar que leva as memórias, que na areia deponho,
são pedaços de vida que um dia ruiu.
Há um mar, de vestido verde, que me embala a alma,
que me acolhe a dor, que aceita as lágrimas, salgadas de amor.
Há um mar, de cinzentas vestes, que me embala na calma
de cada onda mansa: de cada requebro da sua própria dor.
Há um mar, eterno e profundo mar, onde se esconde o querer,
onde permanece o sonho, onde a esperança habita.
Haverá, sempre, um mar para me lembrar que viver
é também sorrir, é também sonhar; Alma que ressuscita.

sexta-feira, fevereiro 24, 2017

NAS MÃOS NÃO TRAGO ROMÃS


imagem retirada da net












Nas mãos não trago romãs, nem fruta de paixão,
nos olhos não trago o ódio, nem a raiva ou a exaltação.
Nos lábios não trago palavras duras e finas como punhais.
Apenas trago no corpo cicatrizes intemporais.

Nos cabelos entrancei a dor com flores de perdão,
calcei sapatos de penas, debruados de solidão.
Teci um véu de esperanças, bordei-lhe estrelas e sonhos,
sonhei madrugadas suaves: embarquei em navios tristonhos.

Se hoje o dia não nascesse e o vento esmorecesse
cansado de tanto soprar....
Se a minha alma esquecesse e na boca morresse
esta forma de amar....

Restariam apenas as mágoas de um passado que passou,
de um fruto que foi singelo e que o tempo estiolou.
Restariam somente farrapos, apenas e só, as memórias
de um amor que morreu: somente um punhado de escórias.


Nas mãos não trago romãs, nem fruta de paixão,
nos olhos não trago o ódio, nem a raiva ou a exaltação.
Nos lábios não trago palavras duras e finas como punhais,
apenas trago no corpo cicatrizes intemporais.





quarta-feira, fevereiro 22, 2017

EM NÓS DE BRANDAIS... A VIDA.

Resultado de imagem para imagens nau catrineta
imagem retirada da net

Uma estrada, um mar, uma nau catrineta de brincar:
nos olhos as brumas de um sedento sonhar, 
e nas mãos o leme - firme - de um rumo por mapear.
Uma estrela - cadente - de perdido mar, vem confiante e doce
no meu peito habitar. Deixa que o coração bata e esboce
um novo alento, um novo alvorecer na iniciada aceitação.

Deixo o cais de ensombrados desalentos e dolorosos punhais,
abro as velas aos ventos, enfrento ondas e marés sem arrais.
Da mágoa fiz uma âncora, amarrei a tristeza com duros nós de brandais.
Olho as estrelas, de enfarruscado céu, e a lua - lá do alto -, brilha,
como um luzeiro de fogo frio e distante: é a minha cartilha
nesta viagem sem início nem fim - viagem de paz e perdão.

Levo nos olhos um astrolábio de mundos a florir,
nas mãos um mapa de um tesouro ainda por descobrir,
e no corpo tatuei a palavra - amor -, apenas para me punir.
E a minha nau catrineta navega afoita em verdes mares,
enquanto ofereço uma muda prece em todos os altares,
em cada ermida de sonhos, esfumados e perdidos na imensidão.

Uma estrada, um mar, uma prece, uma nau catrineta de brincar....Apenas a vida a passar.