terça-feira, julho 18, 2017

ESPAÇO POR PREENCHER




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Neste espaço onde se perde o querer,
onde a alma tropeça sem perceber
que errou no caminho escolhido.
Neste espaço onde se juntam os restos
de um acreditar sem tamanho; todos os gestos
que ficaram a morrer sem mais sentido.
É neste espaço que retoco a face, enxugo a dor,
calo a tristeza, componho o cabelo sem cor
e o olhar sem brilho. Visto o vestido de primavera
para me esquecer do frio e escuro inverno.
É no silencio deste espaço, de amordaçado inferno,
que procuro as lições com que a vida me tempera,
me molda, me torce e retorce, e me veste de bruma.
E me veste de encanecido sonho, desvanecido na espuma
de um tempo arrancado ao tempo. De um tempo que passou.
Neste espaço de atabafado ser andante, sem varinha de condão,
sem passes de mágica; onde apenas a construída solidão
impera – rainha –, senhora e dona de tudo o que restou.
Neste espaço de limbo sem sentires, de dor embotada
de tanto doer. De caminhos feitos de passos incertos a tropeçar,
e decisões que o tempo impõe e a vida se empenha em retardar.
Neste espaço que medeia o ontem e o hoje, ponte tão desejada;
ponte tão amada, ponte tão querida, ponte tão amargamente sofrida…
Neste espaço que, hoje, refaço com o que sobrou do sonho desfeito,
ainda há lugar para memórias, ainda há lugar para a dor e, por defeito,
há lugar para a esperança – uma ténue sensação de partida.
Neste espaço onde se perde o querer…
Neste espaço onde se juntam os restos…

Neste espaço inundado de um tempo para esquecer.

sexta-feira, julho 14, 2017

MELODIA QUEBRADA



No veludo negro do celestial manto
escuto as notas de um piano sofrido,
percorro as memórias dedilhando, em pranto,
esta inquinada melodia de um coração partido.
Visto-me de brumas e sonhos – parto sem rumo –
pelas pedras de uma calçada que desconheço,
perdendo-me numa noite em que me esfumo
como suspiro de borboleta breve, e amanheço
num barco sem leme, ancorado em cais de partida
á espera de uma maré; á espera de uma vida.
E o piano toca, chora e geme em louco pranto,
e a noite cala-se para lhe ouvir a dor.
Palmilhando a calçada vai a alma num quebranto,
vai a vida deslizando, vai serena e já sem cor.
No cais das vidas perdidas uma sereia soluça,
traz nas mãos salgadas pérolas, rosário de muitas lutas.
E o barco faz-se ao mar, onde se agita e embuça,
rangendo as madeiras doridas, gastas de tantas escutas.
Toca o piano pela noite, em tom plangente,
e a alma cala-se, recolhida e dormente.


No veludo negro do celestial manto… ainda oiço as notas do piano 












quinta-feira, julho 13, 2017

UMA ROSA BRANCA NUM DIA NEGRO

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Olho o céu nesta noite que caiu, 
sem que pudesse prender o dia,
e parte do meu coração ruiu.
Partiu contigo, amiga; quem diria
que te fosse dizer "adeus até a eternidade"!
Tu, anjo doce, mulher de tamanha bondade,
que espalhavas sorrisos e magia,
que escondias a mágoa e a dor.
Deixas um espaço onde a tua energia
vai fazer florir um jardim de amor.
Esse amor que nunca negaste,
essa mão com que sempre acarinhaste
quem de ti dependia, quem de ti vivia.
Repousa no teu lugar lá no firmamento;
alma generosa de um perfume que inebria
quem contigo conviveu. Hoje só o meu lamento
que se queda em profunda oração.
As tuas "estrelas e sorrisos" não voltarão
a povoar o meu caminho...

Descansa em paz querida amiga; os teus aguardam-te de braços abertos.
O amor que espalhaste a ti retorna....

ATE À ETERNIDADE HELENA